Fotografia by Né - Ribeira dos Caldeirões, Achada - Nordeste São Miguel Açores

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Amostra de poema...

Hoje tive de escrever um poema,
Só um, assim a medo,
Só porque sim,
Só porque o degredo 
De não o escrever
Doía mais
Do que o ver escrito...

domingo, 29 de janeiro de 2017

Incentivos-carícia...



Não tenho andado muito por aqui… Não que a escrita tenha deixado de palpitar em mim, porque está sempre lá. Mas vai-se enchendo os dias com outros afazeres e ela vai-nos simplesmente acompanhando, sem passar para nenhum papel ou teclado. Sinto pena. É talvez pecado…
Mas há domingos em que acordamos sem despertador e agarramos no telemóvel pousado na mesa de cabeceira para sabermos como se portou o mundo enquanto dormíamos. A nova rotina é esta. Substituiu a leitura dos jornais ou, mais tarde, a consulta dos sites de notícias. Agora basta abrir as redes sociais e ficamos atualizados, não só em relação às novidades a nível planetário, mas também às cusquices a título mais local.
E num desses domingos, temos dois emails a informar de dois novos comentários ao que escrevemos aqui. Abrimo-los com a curiosidade de conhecer a crítica, mesmo quando este espaço tem andado mais parado. E descobrimos que vem de alguém que já citamos, um poeta dos tempos modernos… E isso contagia-nos. Desperta-nos. Acaricia-nos a alma que ainda sonha em ser escritora um dia (daqueles dias que se situam no longínquo tempo da reforma).
E decidimos começar a acariciar o teclado também. Não nos tínhamos esquecido de como sabe bem, mas é sempre como se nos reencontrássemos com uma metade nossa que se mantém mais adormecida. E tudo o que estava dormente parece querer sair. Sonhamos uma vida em que pudéssemos fazer isto todos os dias. Pelo menos todos os domingos. Sabemos que o sonho é utopia e que se vão passar dias, semanas, meses até que voltemos aqui. 
Mas saber que este AQUI existe e que algures num ALI distante alguém poderá ler isto faz-nos começar o domingo com o mais curto e melhor poema que pode existir: o Sorriso de uma Alma...

domingo, 1 de janeiro de 2017

Na alvorada de mais um ano...


"Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão…"
Antoine de Saint-Exupéry

Mais um ano se espraia diante de nós, qual oceano que nos seduz com as suas ondas interminavelmente compassadas… Contemplamo-lo na paz da sua primeira alvorada e achamos que é infinito. Vamos ter tempo para tudo, inclusivamente para virmos aqui escrever…
Ainda não fomos enrolados pela força das marés; esquecemo-nos de como vamos ter dificuldade em respirar para sobreviver à violência das tempestades; pomos de parte as golfadas de tempo precioso que vamos ter de engolir; adiamos a sujidade da areia molhada que nos vai puxar para o precipício tantas vezes…
Temos fé… Temos esperança… Temos o futuro à nossa frente! E mesmo que não tenhamos tempo de aqui vir deixar uma marca em palavras, sabemos que este areal existe. É bom visitá-lo e, a partir dele, contemplar o mar da nossa vida, quer ele esteja mais ou menos tranquilo, mais ou menos revolto. Porque as palavras são a nossa casa, o melhor ninho que escolhemos para construir o nosso lar...

domingo, 16 de outubro de 2016

Canja de Galinha para a Alma...


Há sensivelmente 20 anos eu era uma miúda de 16, à procura de rumo(s) para a vida... Nos intervalos de ser uma adolescente hiperativa e tagarela, devorava livros (sempre o fiz, desde que me conheço!). Numa viagem de volta ao meu país natal, deparei-me com um livrinho chamado Chicken Soup for the Soul. Nunca gostei muito de canja de galinha, mas o título cativou-me. E o livro também, por transbordar de positivismo numa altura em que andava na demanda pelos grandes ideias! Este verão encontrei esta reedição de vigésimo aniversário em Português. Abracei-me a ele (mais facilmente abraço livros do que pessoas) e trouxe-o para casa, em memória do outro. A minha prateleira dos "a ler" está sempre a abarrotar. Ir a uma livraria e não trazer um livro é-me quase impossível! Deixei-o na mesa de cabeceira com a instrução mental: para ir lendo uma história de cada vez em tempo letivo quando não tenho forças para ler mais nada. Assim fui fazendo... Acabei-o hoje, neste bonito fim de tarde de outono, naquele tempo semanal que reservo sempre para o que me ajuda a (re)encontrar a paz. Não é uma obra-prima da literatura. Está cheio de lugares-comuns e histórias já ouvidas, mas conforta, de facto, a alma. E a alma também precisa de canja de galinha, mesmo quando não está constipada...

Deixo-vos os seus 7 conselhos finais que tento aplicar na minha vida, como se fossem 7 colheres de canjinha para vos aquecer o espírito para a nova semana:

1-Siga pelo menos uma das suas paixões;
2-Faça algo que tenha significado para si e que lhe dê um propósito;
3-Tome nota das coisas boas;
4-Sorria para toda a gente;
5-Não pare de aprender;
6-Tenha uma perspetiva a longo prazo;
7-E, finalmente, guarde tempo para si.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Noturno sem Chopin...


Se me abraçar à insónia esta noite, talvez nasça um texto… Qual calor acontecido de uma entrega de dois corpos, quiçá emanem palavras de uma alma que hoje se sente cansada de vozes violentas e de gestos alarmantemente egoístas.
O sono espreita mas não se deita sobre nós. Prolongamos a sua ausência porque nos sentimos aconchegados pela escrita que nunca tem tanto tempo para ficar como desejaríamos. Adia-se a sua permanência e ela encolhe-se, remetendo-se a um futuro que desconhece se poderá tornar-se em presente alguma vez.
E se fosse acabasse por se tornar num livro? Sonhamos, embora acordados… Por enquanto ainda é apenas um blogue que poucos conhecem, menos leem e quase nenhum comenta. Se isso nos trava? Não… Apenas nos dá a ilusão de termos criado um refúgio só nosso onde podemos tentar curar uma insónia-de-quase-verão...

sábado, 2 de abril de 2016

Insónia de escrita...



Não tenho muito tempo para escrever… Talvez já não sinta muita necessidade de o fazer porque estou tranquila e a escrita sempre foi uma espécie de terapia ou um poço sem fundo para dentro do qual podia despejar todas as minhas reticências, exclamações e interrogações. Mas o apelo existe e às vezes faz-se sentir mais forte numa noite de insónia como esta.
Não é preciso saber que alguém me lê. Basta saber que eu própria paro para me ouvir. À medida que as letras se enfileiram e se abraçam em palavras, frases e parágrafos, vou-me lendo e redescobrindo. Como se a alma se despisse às camadas e se deitasse à minha frente para eu a contemplar. Talvez a escrita seja o meu melhor espelho e eu precise dele para me relembrar como sou.
E como sou? Não importa se sei que sou o que consigo ser. Nem sempre assim fui nem para sempre o serei. Mas quero escrever-me com um computador ao colo numa cama revirada pela insónia de uma interrupção letiva que me troca os sonos por me permitir sair da rotina. E quero fazê-lo sempre que me apetecer. Só porque sim. Sim. Só porque sou eu. Só porque. Sou eu. EU...

sábado, 16 de janeiro de 2016

Conselhos...


Há uns dias, ao ler o primeiro romance de alguém que sempre admirei pelas suas crónicas carregadas de bonitas e tocantes metáforas, deparei-me com esta lista de conselhos que gostava de seguir este janeiro, este ano, nos próximos janeiros, nos próximos anos, nesta vida:

"- Sê verdadeiro e vive todos os teus medos. Quanto mais tentes fugir-lhes mais eles virão atrás de ti.

- Independentemente das tuas desculpas, o que faz a diferença são as tuas escolhas.

- Acredita que todas as transformações se ancoram nos teus pequenos gestos.

- Sente as pessoas! E atenta que a forma como as sentes te condiciona mais do que imaginas. Assim sejas capaz de perguntar, diante delas, 'o que é que eu sinto', 'o que é que eu penso', 'que escolhas são as minhas'.

- Aceita que inteligência e bondade são, de certa forma, a mesma coisa.

- Muito mais importante do que seres positivo (ou otimista, se preferires) é seres verdadeiro. Ganha quem vê a verdade e o seu contrário.

- Por mais raro que te façam sentir, nunca és nem tão grande, nem tão bonito, nem tão bom como por vezes possas pensar. Encontrarás mais facilmente quem assim é quando reparas naquilo que lhe falta.

- Se não deres mais um passo, todos os dias, não te assustes: não morreste! Aquilo que faz a diferença é dares-te. Antes de todos os passos que tu possas dar."
Um Estranho no Coração, Eduardo Sá