Fotografia by Né - Ribeira dos Caldeirões, Achada - Nordeste São Miguel Açores

domingo, 29 de janeiro de 2017

Incentivos-carícia...



Não tenho andado muito por aqui… Não que a escrita tenha deixado de palpitar em mim, porque está sempre lá. Mas vai-se enchendo os dias com outros afazeres e ela vai-nos simplesmente acompanhando, sem passar para nenhum papel ou teclado. Sinto pena. É talvez pecado…
Mas há domingos em que acordamos sem despertador e agarramos no telemóvel pousado na mesa de cabeceira para sabermos como se portou o mundo enquanto dormíamos. A nova rotina é esta. Substituiu a leitura dos jornais ou, mais tarde, a consulta dos sites de notícias. Agora basta abrir as redes sociais e ficamos atualizados, não só em relação às novidades a nível planetário, mas também às cusquices a título mais local.
E num desses domingos, temos dois emails a informar de dois novos comentários ao que escrevemos aqui. Abrimo-los com a curiosidade de conhecer a crítica, mesmo quando este espaço tem andado mais parado. E descobrimos que vem de alguém que já citamos, um poeta dos tempos modernos… E isso contagia-nos. Desperta-nos. Acaricia-nos a alma que ainda sonha em ser escritora um dia (daqueles dias que se situam no longínquo tempo da reforma).
E decidimos começar a acariciar o teclado também. Não nos tínhamos esquecido de como sabe bem, mas é sempre como se nos reencontrássemos com uma metade nossa que se mantém mais adormecida. E tudo o que estava dormente parece querer sair. Sonhamos uma vida em que pudéssemos fazer isto todos os dias. Pelo menos todos os domingos. Sabemos que o sonho é utopia e que se vão passar dias, semanas, meses até que voltemos aqui. 
Mas saber que este AQUI existe e que algures num ALI distante alguém poderá ler isto faz-nos começar o domingo com o mais curto e melhor poema que pode existir: o Sorriso de uma Alma...

domingo, 1 de janeiro de 2017

Na alvorada de mais um ano...


"Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão…"
Antoine de Saint-Exupéry

Mais um ano se espraia diante de nós, qual oceano que nos seduz com as suas ondas interminavelmente compassadas… Contemplamo-lo na paz da sua primeira alvorada e achamos que é infinito. Vamos ter tempo para tudo, inclusivamente para virmos aqui escrever…
Ainda não fomos enrolados pela força das marés; esquecemo-nos de como vamos ter dificuldade em respirar para sobreviver à violência das tempestades; pomos de parte as golfadas de tempo precioso que vamos ter de engolir; adiamos a sujidade da areia molhada que nos vai puxar para o precipício tantas vezes…
Temos fé… Temos esperança… Temos o futuro à nossa frente! E mesmo que não tenhamos tempo de aqui vir deixar uma marca em palavras, sabemos que este areal existe. É bom visitá-lo e, a partir dele, contemplar o mar da nossa vida, quer ele esteja mais ou menos tranquilo, mais ou menos revolto. Porque as palavras são a nossa casa, o melhor ninho que escolhemos para construir o nosso lar...

domingo, 16 de outubro de 2016

Canja de Galinha para a Alma...


Há sensivelmente 20 anos eu era uma miúda de 16, à procura de rumo(s) para a vida... Nos intervalos de ser uma adolescente hiperativa e tagarela, devorava livros (sempre o fiz, desde que me conheço!). Numa viagem de volta ao meu país natal, deparei-me com um livrinho chamado Chicken Soup for the Soul. Nunca gostei muito de canja de galinha, mas o título cativou-me. E o livro também, por transbordar de positivismo numa altura em que andava na demanda pelos grandes ideias! Este verão encontrei esta reedição de vigésimo aniversário em Português. Abracei-me a ele (mais facilmente abraço livros do que pessoas) e trouxe-o para casa, em memória do outro. A minha prateleira dos "a ler" está sempre a abarrotar. Ir a uma livraria e não trazer um livro é-me quase impossível! Deixei-o na mesa de cabeceira com a instrução mental: para ir lendo uma história de cada vez em tempo letivo quando não tenho forças para ler mais nada. Assim fui fazendo... Acabei-o hoje, neste bonito fim de tarde de outono, naquele tempo semanal que reservo sempre para o que me ajuda a (re)encontrar a paz. Não é uma obra-prima da literatura. Está cheio de lugares-comuns e histórias já ouvidas, mas conforta, de facto, a alma. E a alma também precisa de canja de galinha, mesmo quando não está constipada...

Deixo-vos os seus 7 conselhos finais que tento aplicar na minha vida, como se fossem 7 colheres de canjinha para vos aquecer o espírito para a nova semana:

1-Siga pelo menos uma das suas paixões;
2-Faça algo que tenha significado para si e que lhe dê um propósito;
3-Tome nota das coisas boas;
4-Sorria para toda a gente;
5-Não pare de aprender;
6-Tenha uma perspetiva a longo prazo;
7-E, finalmente, guarde tempo para si.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Noturno sem Chopin...


Se me abraçar à insónia esta noite, talvez nasça um texto… Qual calor acontecido de uma entrega de dois corpos, quiçá emanem palavras de uma alma que hoje se sente cansada de vozes violentas e de gestos alarmantemente egoístas.
O sono espreita mas não se deita sobre nós. Prolongamos a sua ausência porque nos sentimos aconchegados pela escrita que nunca tem tanto tempo para ficar como desejaríamos. Adia-se a sua permanência e ela encolhe-se, remetendo-se a um futuro que desconhece se poderá tornar-se em presente alguma vez.
E se fosse acabasse por se tornar num livro? Sonhamos, embora acordados… Por enquanto ainda é apenas um blogue que poucos conhecem, menos leem e quase nenhum comenta. Se isso nos trava? Não… Apenas nos dá a ilusão de termos criado um refúgio só nosso onde podemos tentar curar uma insónia-de-quase-verão...

sábado, 2 de abril de 2016

Insónia de escrita...



Não tenho muito tempo para escrever… Talvez já não sinta muita necessidade de o fazer porque estou tranquila e a escrita sempre foi uma espécie de terapia ou um poço sem fundo para dentro do qual podia despejar todas as minhas reticências, exclamações e interrogações. Mas o apelo existe e às vezes faz-se sentir mais forte numa noite de insónia como esta.
Não é preciso saber que alguém me lê. Basta saber que eu própria paro para me ouvir. À medida que as letras se enfileiram e se abraçam em palavras, frases e parágrafos, vou-me lendo e redescobrindo. Como se a alma se despisse às camadas e se deitasse à minha frente para eu a contemplar. Talvez a escrita seja o meu melhor espelho e eu precise dele para me relembrar como sou.
E como sou? Não importa se sei que sou o que consigo ser. Nem sempre assim fui nem para sempre o serei. Mas quero escrever-me com um computador ao colo numa cama revirada pela insónia de uma interrupção letiva que me troca os sonos por me permitir sair da rotina. E quero fazê-lo sempre que me apetecer. Só porque sim. Sim. Só porque sou eu. Só porque. Sou eu. EU...

sábado, 16 de janeiro de 2016

Conselhos...


Há uns dias, ao ler o primeiro romance de alguém que sempre admirei pelas suas crónicas carregadas de bonitas e tocantes metáforas, deparei-me com esta lista de conselhos que gostava de seguir este janeiro, este ano, nos próximos janeiros, nos próximos anos, nesta vida:

"- Sê verdadeiro e vive todos os teus medos. Quanto mais tentes fugir-lhes mais eles virão atrás de ti.

- Independentemente das tuas desculpas, o que faz a diferença são as tuas escolhas.

- Acredita que todas as transformações se ancoram nos teus pequenos gestos.

- Sente as pessoas! E atenta que a forma como as sentes te condiciona mais do que imaginas. Assim sejas capaz de perguntar, diante delas, 'o que é que eu sinto', 'o que é que eu penso', 'que escolhas são as minhas'.

- Aceita que inteligência e bondade são, de certa forma, a mesma coisa.

- Muito mais importante do que seres positivo (ou otimista, se preferires) é seres verdadeiro. Ganha quem vê a verdade e o seu contrário.

- Por mais raro que te façam sentir, nunca és nem tão grande, nem tão bonito, nem tão bom como por vezes possas pensar. Encontrarás mais facilmente quem assim é quando reparas naquilo que lhe falta.

- Se não deres mais um passo, todos os dias, não te assustes: não morreste! Aquilo que faz a diferença é dares-te. Antes de todos os passos que tu possas dar."
Um Estranho no Coração, Eduardo Sá 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Happy New Year, blog!


Querido blogue,

Hoje é o teu aniversário e também começa mais um ano. Já me habituei a vir escrever-te, como se abrisse o livro do novo ano e tu fosses a primeira página. Ultimamente tenho vindo pouco aqui, mas não morreu em mim o bichinho da escrita. Pelo contrário. Ele continua a pulsar em mim e a gritar para sair, tentando ensurdecer os demónios da falta de tempo e energia sobresselente que é característica da minha vida laboral.
Sei que estás sempre aqui, pronto a receber os meus desabafos e, estranhamente, essa consciência faz-me sentir mais leve. Por mais que me falhem os ouvidos confidentes das pessoas da minha vida, sei que te tenho disponível, como um par extra no qual posso confiar para aliviar os fardos do quotidiano.
Hoje não vou escrever muito, mas quis marcar presença para te dizer que encaro mais um ano com o entusiasmo otimista-realista que me caracteriza. Não sei se estou pronta para tudo o que aí vem, mas também não quero estar demasiado preparada para as surpresas boas que 2016 me possa reservar. Quase todas as melhores coisas que me aconteceram foram inesperadas, por isso não preciso de estar a contar com tudo para ser feliz.
A mensagem que escolhi para começar mais uma etapa é para me inspirar e a todos os que por aqui passarem:

"Para descobrir o que é a felicidade,
Não há regras, mas princípios.
Abra a janela da sua mente,
Liberte as asas do seu imaginário,
Oxigene os pulmões da sua criatividade,
Rompa o cárcere da mesmice,
Percorra os passos nunca antes percorridos,
Ande por ares nunca antes respirados,
Encontre endereços desconhecidos,
E, em especial, o endereço dentro de si próprio."
Augusto Cury

2016, vamos a isso!