Fotografia by Né - Ribeira dos Caldeirões, Achada - Nordeste São Miguel Açores

domingo, 7 de março de 2010

"Graças e desgraças"


Em época de desgraças, tenho andado mais recolhida... Quando vemos o que pode acontecer num ápice, num percurso que também fizemos tantas vezes, de imediato damos graças pelo que temos e pelo que não nos aconteceu... Interrogamo-nos sobre as pautas do Destino, sobre a mão que as desenhou e sobre aquela que as interpreta, ora em sinfonias de alegria, ora em lamentos de dor... E enquanto reflectimos, toda a nossa semana nos parece mais leve, mesmo com os seus percalços que, noutra situação, nos desalentariam. Ficamos como que anestesiados pela dor alheia. Damos por nós a agradecer infindas vezes o que temos e a valorizar cada troço de estrada percorrido sem azares de maior... E sabemos que, enquanto vivermos, o acorde mais importante da nossa alma será sempre a resistência, a mesma que vemos nos que sofrem, mas que têm que continuar...
É por isso que vos deixo com a citação que abre o livro que agora estou a ler (Os Filhos da Liberdade de Marc Levy):

"Gosto muito deste verbo - resistir. Resistir ao que nos aprisiona, aos preconceitos, aos juízos prematuros, à vontade de julgar, a tudo o que é mau em nós e deseja unicamente exprimir-se, à vontade de abandonar, à necessidade de se lamentar, de falar de si em detrimento do outro, às modas, ambições doentias, à confusão do ambiente que nos rodeia.
Resistir e... sorrir."
Emma Dancourt

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Quando nevar, contarei comigo...

Gosto da sensação de acabar um bom livro. Hoje foi um desses dias. O computador manteve-se ligado, como que a chamar-me para o trabalho, mas eu só não o ignorei quando vim blogar... Terminei As Raparigas de Xangai de que já vos falara. É o terceiro livro de Lisa See que leio e adorei-os todos. A mentalidade oriental fascina-me e gosto de encontrar metáforas que são inusitadas na minha própria cultura mas que estão repletas de verdades. Foi o caso, já na parte final do livro, em que encontrei a que escolhi para partilhar convosco, porque está ligada ao que tenho escrito nos últimos posts e tenho vindo a aprender, tornando-me mais forte:
"Podemos sempre contar com as pessoas para nos encherem a festa quando estamos em glória, mas nunca devemos sonhar que nos mandarão carvão quando nevar."

"Nas Nuvens..."



Ontem fui ver o filme "Nas Nuvens" e fiquei a pensar... No fundo, a personagem Ryan Bingham concentra em si todos os receios que assolam a nossa condição humana, levando-os a um extremo. Na vida despreocupada e sem compromissos que leva, encontrou a liberdade que não o prende a nada nem a ninguém. Mas, auto-didacta no campo do sentir, acaba por descobrir sozinho que essa liberdade está a mantê-lo afastado de uma série de outras coisas que pesam bastante na balança final de uma existência. Quando arrisca todas as suas ideias pré-concebidas e vai ao encontro do Amor, da partilha e do compromisso, leva literalmente com a porta na cara e isso torna-o ainda mais parecido connosco quando os nossos relacionamentos desabam. Custa-nos tanto travar o combate entre a razão e a emoção para lhes dar início, tantos são os nossos receios, e quantas vezes saímos magoados e a jurar que nunca mais confiamos em ninguém!


E é aí que erramos porque podemos sempre confiar em nós próprios - lição número um que nos há-de levar às outras todas. E enquanto essa confiança existir teremos sempre a única porta de embarque que nos pode levar ao próximo relacionamento (seja ele amoroso, ou não!), à próxima partilha, ao próximo encontro... Entretanto, e como escreveu o poeta romeno Gellu Naum, teremos sempre, como a personagem de Clooney,
"um amigo em cada pedacinho de nuvem
é o que acontece com os amigos onde o mundo é cheio de medos..."

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A canção foi tirada da Music Box da minha adolescência, no tempo em que a Mariah ainda era ouvida em cassetes, para complementar o primeiro post do dia e do fim-de-semana... Enquanto viver, hei-de continuar a contar com a heroína que vive dentro de mim, mesmo quando precisar de a procurar bem lá no fundo...

Hero

Auto-superação...

Sou daquelas que mantém listas das coisas a fazer... Os meus "to do's" são lençóis de entradas que vou riscando quando me livro delas, para ficarem mesmo com o aspecto de terem sido feitas e bem-feitas (o costumeiro tick do género lista de compras já não chega, é mesmo preciso riscar para a tarefa, tendo sido feita, desaparecer de vez!). Não são raros os dias que chegam ao fim e em que me questiono como consegui fazer tudo aquilo... E há também os outros, os de maior preguiça, aos quais ganho direito por causa dos primeiros...
Vamos transpor tudo isto para um nível emocional... Também tenho listas mentais do que tenho que fazer e do que não posso fazer... Aí é mais difícil riscar tudo o que já se conseguiu atingir, porque o equilíbrio que almejo é, tantas vezes, precário... Penso que já o agarrei, mas no momento seguinte a corda fica, de novo, bamba perante um inesperado golpe de Universo... Obrigo-me a visualizar a lista e a contemplar tudo o que já atingi, para não retroceder... E, olhando-a, creio em mim e sei que só serei eu se continuar a auto-superar-me, por mais que isso seja penoso e interminável. Portanto, desafio seguinte, aqui vou eu! Afinal, sou como a personagem do livro que continuo a ler (espreitem nos posts anteriores, porque o trabalho ainda não me deixou passar para o próximo!): e estou disposta "a comer amargura para encontrar ouro."
PS-Se for em forma de Euromilhões também não faz mal! :)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

My rainy ways...

E no contexto dos dilúvios deste Inverno, aqui fica uma canção que "herdei" da minha Mãe e cuja letra adoro: