Fotografia by Né - Ribeira dos Caldeirões, Achada - Nordeste São Miguel Açores

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Depois da tempestade...


A noite foi de temporal... Mas até os nossos temporais podem parecer ninharias quando comparados com os dos outros... O mesmo acontece dentro de nós. Por vezes perdemo-nos em redemoinhos de sensações que nos fazem quase afogar. Sabemos que o nosso coração já naufragou noutras situações, em passados que preferíamos não lembrar. E temos medo e medos... De voltarmos a ser sugados pela solidão e pelo desamparo. Afinal de contas, a nossa humanidade nunca deixa a nossa carcaça despejada. E isso dificulta o viver, mas possibilita-o também.

Porque acreditamos que a acalmia regressará. Que o que foi pranto se possa transformar em sereno orvalho feliz e que o que foi ventania redunde numa brisa suave para nos acariciar o sorriso... Porque "depois da tempestade, vem a bonança". Virá? Eu acredito que sim, mas essa sou apenas eu...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Surpresas...

Quem me conhece a fundo sabe o quanto eu gosto de surpresas... Basta uma gota boa de inesperado pingar no meu dia para que as suas águas se movimentem e formem ondas de sorrisos dentro de mim... Eu sou aquela que não gosta de fazer listas no aniversário nem no Natal, porque adora ser surpreendida...
Felizmente a profissão que escolhi presta-se a isso. Hoje estava no meu cantinho, perdida nas minhas preocupações, quanto senti um olhar a um palmo de distância. Levantei a cabeça e, no olhar de confirmação de que era mesmo eu, reconheci a D., uma aluna a quem dei apoio individualizado já há uns anos. Muitos problemas de saúde, doença degenerativa, vida difícil, mas um grande gosto pela escrita, aliado à sua perseverança, fizeram-na vingar, sair do concelho isolado onde vivia, frequentar o Ensino Secundário na cidade e não esquecer a professora de Língua Portuguesa que, ao longo de um ano lectivo, se sentou ao pé dela na sala de aula...
Obrigada, D., por me recordares que toco vidas todos os dias... E não queria que fosse doutra maneira...

Sábados...


Continuando nostálgica, desde pequena nunca gostei muito dos Sábados... Em casa era dia de limpezas, cá dentro era dia de transição entre a semana de escola e o domingo de descanso e eu nunca me dei bem com transições... O meu dia favorito sempre foi a segunda (sou mesmo estranha!), porque marcava o início de uma nova semana e eu ficava sempre com vontade que chegasse, curiosa do que a iria encher. Sempre gostei de voltar à escola (e tantos anos decorridos, embora com alguns desencantos face à profissão que escolhi, continuo a gostar...)

Agora, já adulta, tenho algumas razões para gostar muito dos Sábados... Às vezes a teimosia do Destino infiltra-se, tentando arranjar-me novas tensões para não gostar deles outra vez... Mas eu vou ser mais teimosa do que esse Ente Supremo e continuar a privilegiar os motivos que me fizeram dar o braço a torcer na afeição por este dia da semana... Até porque, mais do que em qualquer outra coisa, eu acredito no dia seguinte... Enquanto houver dia seguinte e eu estiver aqui, há sempre um Domingo e, sobretudo, uma Segunda-Feira para limpar o pó que o Sábado tenha deixado...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"Velha Infância"

Em dias diluvianos como o de hoje, sinto falta das galochas cor-de-rosa que tive na infância, a combinar com um impermeável da mesma cor. Naquele tempo, nenhuma poça de água era demasiado grande para se chapinhar nela, nenhuma chuvada potente o suficiente para me encharcar o ânimo...
No fundo, do que eu tenho saudades é de passar pelas tempestades da Vida e não me molhar... Mas depois eu, adulta, me introspecto e descubro que viver nada de desafiante teria se eu não me molhasse para o sol do dia ou do instante seguinte me secar...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Formação...


Extenso areal, a Vida forma ondas perante o nosso olhar... A valentia morre, por vezes, dentro de nós, mas a atracção da espuma fala mais alto e atiramo-nos... É mais um dia, mais um momento, mais um respirar... E em cada um deles tornamo-nos, também nós, mar... E é ao fazer parte dele que sabemos de que gotas é feita a sua dor, em que salpicos se distribui a sua alegria. Tal como as ondas ficamos, pois, em constante formação...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Máscaras...


Hoje foi dia de máscaras... Nunca gostei deste dia. Acho que leva as pessoas a esconderem-se em demasia por detrás de uma pele que não lhes pertence, aproveitando-se da célebre frase "É Carnaval, ninguém leva a mal!".

Pois eu levo a mal... Levo a mal que se escondam as coisas boas para se revelarem as más... Levo a mal que, numa luta de azeite e água, vença sempre o azeite e seja ele a vir ao de cima, trazendo consigo tudo o que não é límpido nem puro...

Em dia de Carnaval e sempre, gostava que mais pessoas aprendessem o que o livro que ando a ler (Raparigas de Xangai de Lisa See) ensina na sua sublime sapiência oriental - a "comer a amargura". Costumo dizer aos meus alunos que, para evitarem conflitos, têm que "engolir" muita coisa. Digo o mesmo aqui. Tentemos mastigar bem as nossas revoltas e os nossos azedumes e engoli-los para o mais escuro canto de nós. Assim, o sorriso não será uma máscara, mas sim uma pele hidratada pela verdadeira alegria que pode existir em todas almas...

Ainda sobre as emoções...

Para complementar o meu post de ontem, acabo de vos deixar uma canção que me acompanhou na adolescência e que agora se apresenta recriada por uma voz que também está registada na jukebox das minhas memórias!
E sei que a Mariah também encaixotou à sua maneira um punhado de emoções para que as desembrulhássemos ao som da música. Não é o que nós, os seres humanos, fazemos todos afinal?